quarta-feira, 10 de julho de 2013

Continuando o papo sério.

Há cerca de dez anos ouvi, durante a primeira audiência ao maravilhoso “Waking Life” de Richard Linklater, o discurso de Alex Jones:

“"Não se pode nada contra o Estado." "Morte e impostos." "Não fale sobre política ou religião." Isto é equivalente à propaganda inimiga. Renda-se, soldado! Renda-se, soldado! Vimos isso no século 20. Agora, no século 21, precisamos enxergar... que não podemos ficar encurralados neste labirinto. Não devemos nos submeter à desumanização! Me preocupa o que está acontecendo neste mundo. Me preocupa a estrutura, os sistemas de controle. Os que controlam a minha vida e os que querem controlá-la ainda mais. Eu quero liberdade! E é isso que você devia querer! Cabe a cada um de nós deixar de lado a ganância, o ódio, a inveja... as inseguranças, seu modo de controle. Nos sentimos patéticos, pequenos...e abrimos mão, voluntariamente, da soberania, da liberdade e do destino. Precisamos nos conscientizar de que somos condicionados em massa. Desafie o Estado escravo das corporações! O século 21 é um novo século. Não é um século de escravidão... de mentiras e questões irrelevantes... de classicismo, estadismo e outras modalidades de controle. Será a era em que a humanidade defenderá algo puro e correto. Que monte de lixo. Democratas liberais, republicanos conservadores. Dois lados da mesma moeda! Duas equipes gerenciais...brigando pelo cargo máximo da Escravidão Ltda.! A verdade está lá, mas eles estendem um bufê de mentiras. Estou farto! E não aceito nem mais um quinhão! A resistência não é fútil! Nós venceremos! A humanidade é boa demais. Não somos fracassados! Nos ergueremos e seremos humanos! Nos empolgaremos com coisas reais! A criatividade e o espírito humano dinâmico que recusa-se a submeter-se! Bem, isso é tudo o que tenho a dizer. Está nas suas mãos.”

Eu já tinha noção de que “eles” existiam mesmo, já sabia que construiam bunkers gigantescos. Vale prestar atenção no quão parecidos eles são com os que existem no filme “They Live” do John Carpenter...calma eu não acho que nós estamos sendo dominados por alienígenas(?). Estes bunkers vem sendo construídos, por todo os EUA, sabia também naqueles dias que ao mesmo tempo prisões/campos de concentração estavam sendo construídos, até que esses dias...ativaram os campos . Quando nós paramos para pensar no que isto pode significar, nas implicações disso para nosso dia a dia, é que vejo quão covardes somos, como nós de fato encarnamos o personagem narrado por Jones. Parece uma coisa inócua pensar que os Estados Unidos estão para entrar em uma guerra cívil, de proporções inimagináveis, que depois de restrita a liberdade e privacidade dos cidadãos, de dar-se direito de aprisionar sem acusação, televisionando suas atrocidades em todas as épocas, e espetacularizando e glamourizando toda a decadência da própria nação, pedindo assim como os nossos nos pediram ( e logo entro neste assunto ) para que vão a luta por seus direitos. Mas eles foram educados por esses mesmos espetáculos Charles Bronsonianos de carnificína, pelo glamour dos fuzis. Irão as ruas de armas em punho. Agora você sabe por que precisam de uma prisão para 2.000.000 de pessoas, coloquei os zeros para nós sentirmos o peso que isso têm sobre as nossas formas econômicas e sociais mundo afora. Todos têm negócios com eles não há como calcular, a forma como o sistema global irá aceitar esse golpe, tanto na forma de gerir suas nações, uma vez que em muitas outras nações os bunkers estão prontinhos.

Enquanto isso aqui no Brasil, nós estamos indo as ruas e no último texto, ainda não sabia por que um grande amigo me dizia que me zoaria por isso, é claro como um diamante, a nossa querida Copa do mundo, mais as nossas exigências de cidadãos, por um setor de serviços básicos condizente com a nossa produção e com a nossa carga tributária exige a coisa que os Rothschild mais amam: Empréstimos. Em Manaus estamos estimados em tantos milhões para as obras, que óbviamente vão aumentar em seu curso, inclusive por causa da copa e da pressa imposta por ela. O mesmo vai acontecer em cidades de todos os portes, enquanto nós gritamos gol e nos agitamos, todos os municípios brasileiros estaram sendo patrocinados pelo bom velho e globalista capital Rothschild, e como um deles disse em outros tempos, não sei se nessas palavras que caso controlasse o sistema financeiro de um país pouco importa quem o governa. Por que obviamente não governa.

Nestas condições venho por meio destas linhas convoca-los as linhas da verdadeira batalha, quando eu era mais jovem tinha muito medo destas condições, uma vez que percebi que nada existe sem sua contra-parte. “Eles” existem sim, mas se você pensar nesse plano você vai perceber que existem duas forças complementares, o que quero dizer é que a Agenda Iluminati, ao sabotar todo o sistema econômico e toda a lógica aplicada a gestão pública, por um lado levando ao colapso o maior expoente do que infelizmente, na minha opinião, ficou conhecido como capitalismo, e o uso desta potência para o tipo de barbaridade que vêm acontecendo por meio desta forma de gerir o capital e suas consequências. Somos através disso impelidos diretamente para uma efervescência intelectual e criativa de proporções nunca vistas pela humanidade – mesmo para nós malucos que acreditam que a terra foi habitada por civilizações que atingiram o mesmo nível ou melhores níveis tecnológicos que os nossos – agora nós temos a real oportunidade de colorir esse mundo. Mas isso implica a impecabilidade de um guerreiro. Isto implica desconfiar de todo idealismo vazio, isto implica nunca parar de ler e nunca parar de escrever. Isso implica uma liberdade mental inalienável, isto implica que nós tenhamos uma noção clara e individual de Deus, implica que sejamos gratos por tudo oque é vivo em nosso planeta, implica que aprendamos e ensinemos a nossas crianças que as boas sementes brotam da terra e não são fabricadas em laboratórios. Implica que tenhamos consciência de nós mesmos, e responsabilidade total por nossos atos. Se você estiver na trilha de seu Dharma nada poderá o deter descubra-a. Descubra em que direção jogaste teu coração antes de nascer e o siga até a morte. Esta é a implicação particular deste momento, agora está nas suas mãos. O que “eles” do bem fizeram foi te tirar da zona de conforto. Agora é hora para nosso amigo nerd aparecer com uma rede onde nós possamos navegar sem as agências de segurança no nosso saco, arquiteturas autóctones ao invés de reclamar da invasiva tecnologia ianque ou a safada tecnologia chinesa ( não menos espiã ). É hora de uma nova engenharia de materiais que nos permita escrever um texto, assistir a um filme, iluminar nossa casa sem ser bombardeado por ondas eletromagnéticas entorpecentes. Precisamos acordar para o que realmente tem implicações sérias para nossa vida!

ARETÊ!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

What better place than here, what better time than now?

Eu venho tentando entender, como todo mundo, dafuq is going on?! São tantos mundos quanto homens nesta questão. Eu venho fazendo pesquisas há anos no tema: “ Quais as estruturas de controle básicas aplicadas nas populações mundiais, e como isto esta ligado a planos de governo global.” Obviamente o material é inesgotável. E agora me dizem que nossos protestos que começaram há alguns anos quando os jovens de diversas cidades viam progressos nas lutas pela meia passagem e/ou passe livre, são iluminati shit. Movimentos do sul do país inicialmente – mesmo com alguma violência – conseguiram melhorias nos transportes públicos de suas cidades. Nós que passamos os dias esperando uma revolução, que nunca veio. Fomos às ruas, em Manaus o transporte público era um lixo, e a passagem estava prestes a subir novamente. A participação era relativamente pequena, mas felizmente os membros eram também relativamente ( principalmente em relação a situação atual ) politizados, e cientes da situação social do país e do mundo. Com o reajuste da passagem e o flagrante aumento da inflação, nos dando o gostinho da década de 90, o brasileiro volta - e agora com uma força que não foi vista em meu tempo de vida – às ruas e exige que as coisas mudem, por que de fato a forma como a bola vem rolando (com o perdão da piada) não dá. Agora nós temos um movimento gigantesco e se isso é ou não uma jogada iluminati, eu não me importo. Eu sei que nós podemos nos organizar e fazer com que mudanças dignas sejam feitas. Pois haverão mudanças e é melhor que nós participemos delas, principalmente dando um 'intensivão' de política mundial, estruturas de controle e cidadania. Sobre os temas que precisam de atenção intensiva temos isto: Você já percebeu que mais e mais demoramos basicamente o mesmo tempo para ir de um ponto a outro das grandes cidades? E que esse tempo é longo e nos tira a sensação e orientação espacial no meio urbano? Que alguns pontos das grandes cidades por motivos raramente explícitos são frequentados apenas por uma parcela da população? Por onde você nunca anda em tal ou qual horário? Você percebeu como as ruas são diferentes quando caminhamos por elas? Vamos fazer um esforço para relacionar isso aos processos de urbanização Ocidentais, o que a passagem de uma avenida de quatro pistas sobre uma favela tem a ver com essa situação de numbness geográfica que impera em nossas cidades? Para onde vão os que ali viviam, nos é empurrado goela abaixo que os guetos construídos nas imediações serão ocupados por eles, você acredita mesmo nisso? Estas pessoas que vão as ruas são no geral estudantes de ensino superior, que no ambiente das faculdades e universidades passa a sentir-se implicado no processo político do país, sentimo-nos responsáveis por nossos destinos pessoais, comunitários e nacionais. Muito embora o ambiente das faculdades, e hoje mesmo os das universidades, têm um bouquet de escolão. Estuda-se para passar por que temos faculdades e universidades macrocéfalas como as cidades que as abrigam(Universidade para todos). Neste contexto, quão responsável você se sente por trazer de volta a estas instituições de ensino sua essência universalista, formadora e transformadora de saberes? E a cereja do nosso gelatto, você já pensou sobre governo mundial? Falei durante a semana passada em grande parte da boca para fora, que a bandeira brasileira envolta em tantos manifestantes era o olho no topo da piramide. Esse pensamento se cristalizou, em meio a tantas teorias da conspiração a minha é esta: O Brasil esta em um momento enquanto membro do BRIC em uma posição bastante vantajosa em relação a direitos civis e democracia, a saber na China nem precisa comentar, mas eu vou, nós temos um estado hiper equipado, diversas sociedades secretas, cadeias de controle intrincadas e a coisa se assemelha bem a uma fábrica com um bilhão de operários. Quanto aos outros membros, temos a questão da Índia que tem os maiores programadores de computadores, as melhores mentes matemáticas, e entretanto uma série de problemas sociais devidos a superpopulação, e a adequação satisfatória do sistema de castas a realidade social do país. A Rússia é um titã, mas ainda esta longe de apagar as sombras da União Soviética, como os costumes de espionar e vender segredos e armas do estado. Enquanto isso a UE tem problemas demais para dar exemplos, e quando a Inglaterra os deixar, terão mais ainda. Os EUA estão caminhando para um enfrentamento possivelmente violento entre os americanos e seu governo, o que pode gerar resultados desastrosos em qualquer caso. Desde resultar em uma ditadura militar infernalmente dura, até uma putaria generalizada no melhor estilo Modern Warfare. Não é necessário falar da participação política mundial da Africa, em sua nulidade. Enquanto isso, a NSA americana que em nome da 'segurança nacional' armazena todos os dados em trânsito nos servidores de grandes empresas sediadas no mesmo instável USA. A nossa América Latina ainda nos olha com os mesmos olhos que nós olhamos os estadunidenses, afinal não fomos nós que abrimos suas veias, mas é certo que somos nós que chupamos seu sangue e agora; It's all eyes on you, brazuca nigga. O que nós fecharmos entre nós vai servir de exemplo. Não vou partir do pressuposto que estou sendo inteiramente manipulado, vou partir do pressuposto que eu sozinho sou tão capaz quanto os que deixaram que a situação chegasse a tal absurdo. Se isso foi armado, eles só montaram o cenário e escreveram parte do roteiro, quem sobe ao palco somos nós. Nós somos os atores sociais dessa revolução, seja por descuido, ou acordo. Eu por minha vez me sinto compelido a escrever estas linhas por que no atual estado de coisas, uma vez que a mídia instituída serve a interesses afins aos 'poderosos' aka endinheirados, temos de cobrir e documentar nossas ações e perceber as estruturas mais amplas que precisam de reforma. A reforma política é um começo, temos de enxugar os custos nacionais de maneira racional, e não em forma de austeridade. A desinformação quer que você acredite que o jeitinho brasileiro consiste em roubar e sabotar tudo no qual você toca, eu por minha parte acredito que este seja nossa capacidade de resolver problemas, fazer gambiarras e fazer as coisas funcionarem quando precisamos que elas funcionem. A globalização não é uma ameaça é um fato, nossas reservas idígenas em Roraima estão repletas de estrangeiros. Se você for empresário a probabilidade de você estar negociando world wide é próxima de 60%. Por outro lado em cada frente anti-humana há uma possibilidade simples de reverter a situação, como o caso do Nutricídio que é a maneira pela qual através das regras do Codex que regulamenta como devem ser nossos alimentos e aceitamos worldwide, é uma questão de modificar as regras para que elas não beneficiem as empresas que produzem a comida, mas a saúde dos que a consomem, simples assim. E nós comemos veneno por que não o fizemos. A trilha sonora da revolução - pelo menos da minha - é a querida Keny Arkana ( da qual eu sou obrigado a desconfiar também, por que é o tempo de discordar sem razão. FNORD!) ela é uma rapper francesa que faz parte de um grupo que se denomina la rabia del pueblo e canta rap contra os abusos da elite pelo mundo, mas seus clipes são tão bem produzidos e roteirizados que fica difícil acreditar que foi um grupo ativista isolado que os produziu. Mas Dickens uma vez disse que essa é uma das melhores características dos franceses: fazer muito com pouco. E ele narrava uma história que começa bem parecida com a nossa e termina com Napoleão mandando crianças para sua guerra. Tive o cuidado de usar expressões internacionais no texto principalmente vindas do inglês, por que é um fato: estamos globalizados. Esta é uma aldeia global, nós temos todos os motivos do mundo para tomar decisões globalmente, eu só não admito que sejam os mesmos que hoje tomam nossas decisões. Quando fui entrevistado pelo jornal do comércio manauara respondi que ia as ruas pelos desmandes de nossos governantes, minutos depois L'esprit d'escalier a verdade é que fui e retornarei às ruas pela maior reforma governamental da história, vou às ruas por que agora é com a gente, nós somos um povo que é historicamente estupido, e temos um governo que fez de tudo para que nós agora fossemos às ruas, nos deram todos os motivos, mas agora a coisa é universal. Não é que nós estejamos mudando nossas formas de governar, nós estamos engendrando as políticas que nortearão as formas de política por todo o mundo. Agora nossa ilha Terra se prepara para seu contato com outras ilhas, nós aprendemos a pensar worldwide para termos diplomacia universalywide. Think of it. Você precisa dessa mudança, ou ela é como dentes no cu ?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Glee e felicidade.

Quando estava no ensino médio eu tinha um jargão “As pessoas se explicam demais.” Hoje o outro lado da moeda me parece mais importante: As pessoas entendem de menos. Algo sobre o sistema educacional, que talvez seja discutido outro dia. Will Schuester descobre-se subproduto disso. Casado há 22 anos com uma desconhecida, sua primeira namorada. Histérica como sua gravidez, empurra Mr. Shue para alguém com valores mais próximos dos seus. Iniciando-o na jornada por eles, sabendo apenas que algo o repele de sua mulher e o aproxima de outra pessoa louca, Emma, conselheira estudantil e obsessiva compulsiva.

Certo e errado é simplesmente muito amplo. Não é um sistema de premissas que nos leva a decisões concretas em relação à realidade. É simplesmente aceitar o que a maioria aceita. Certo acaba sendo por voto e sem razão. A maioria das pessoas não come merda por que o nariz é perto da boca. Willian vai descobrindo que a única oportunidade de encontrar um sistema de valores concretos é sentir-se de verdade, expressar-se. Como o jovem Kurt Hummel acaba descobrindo com seu pai (melhor personagem da série) a única coisa que as pessoas tem de si mesmas é a diferença. Tudo do que querem, irracionalmente, tolhe-los. Cada episódio vem para mostrar de forma caricata que nós andamos em círculos, planos mirabolantes que pioram (mais) as coisas, tentando ser iguais. Tentando um auto-aprimoramento (ou ajustamento) que só corresponde aos padrões. Quando o que importa é - a inovação - ser. O que é uma implicação direta sobre fazer, livre de pressões por resultados.Bom trabalho é prazeroso por ser bem feito. Ou vice-versa.

A personagem de Jane Lynch, Sue Sylvester (interpretada lindamente), mostra-nos exatamente isso. Ela conhece seus valores, e os negligencia deliberadamente, ela descobriu que as pessoas comeriam merda se o nariz não fosse próximo da boca, até oferece... Ela compreendeu que a maioria é ouvida, que existe um padrão de não-raciocinio. O melhor é o que está no topo do pódio. Um grande exemplo de que nós podemos acreditar em qualquer coisa. A melhor cena da primeira temporada, certamente, é o julgamento das Seletivas. Dizendo às gargalhadas que o único julgamento válido é o próprio, seus juízes não ligam para seus resultados. Logo, devemos nos preparar para ter impressões realistas de nós mesmos.

Eles ganharam alguns corações cantando sobre gente perdida ( inclusive o meu ). Notar-se perdido é uma derivação direta de questionar o próprio caminho, admitir a própria falibilidade. Um trem para qualquer lugar é uma simples admissão de que não estamos no lugar certo, qualquer lugar serve, já que este não é o meu. Ironicamente sendo derrotados por autômatos em uma lindíssima – cronometrada - apresentação sobre noções de realidade, três vivas para o Queen. Sem esquecer os criadores que jogam o paradoxo existencialista na nossa cara: Nada importa por sermos pequenos e tudo (em absoluto) vale a pena pela pequena bastarda. Uma tabula rasa que vai passar pelo que todos estes estão passando e ainda sim trazer esperança por ser todos os sonhos do mundo.

O que lembra a metáfora do buraco-negro. Seus sonhos – as coisas que te movem – te levarão a eles se você os deixar, caso contrário cada movimento será esquecer-se, prender-se e morrer. Ainda vivos estes zumbis vão matar cada sonho que se apresentar, para que possam esquecer um pouco mais. Sobram três personagens. Isso eu não sei explicar e é fácil de entender...


P.S.: Cortei um parágrafo para não rolar tanto spoiler.
Living glee and pretending, from your heart, may make you happy.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Carta de Aniversário.

Querida, desculpe-me essa absurda demora para escrever. Parece que o ópio desse mundo anda fazendo efeito. Nossa boa e velha capital baré é tão caricata, torna-se impossível não usar como exemplo para nossa morosidade global. Aqui na ilha de mato a internet é rápida como os nossos milhares de caramujos africanos, que são tão rápidos que não são pegos também. Nossas estradas são um mosaico de falácias, buracos, de operações tapa-buraco. Nosso transito uma guerra de egos. Nossa política uma amigável conversa entre havaianas roxas.

Parece avant garde chamar nossos políticos de “havaianas roxas” mas ser tão azul, tão vermelho e tão flexível é uma característica exclusiva de nossos governantes e de nossos chinelos tipo exportação. Parece reclamão dizer que nossas ruas são um mosaico, mas temos áreas em que as ruas são só tinta preta sobre o barro, e nos melhores casos uns bons recapeamentos (em bairros nobres é claro). Sobre a guerra de egos basta dizer que em nossas vias principais o objetivo não é chegar a qualquer lugar, sim ocupar um espaço na pista da esquerda, que perdeu seu significado de pista de velocidade para pista dos fodões, que na hora do rush ficam todos parados em seu espaço-destinado-a-macho(s)-alfa(que nem precisam ser machos.).

Quando vou a outras partes do país sempre sou perguntado, ao menos uma vez, se aqui caço e pesco para viver, se temos índios andando pela rua, se vou para a faculdade de canoa, se há animais silvestres pela rua. Aí penso “quem me dera.” Sempre acabo fazendo a linha paciente. Explico que a cidade é uma metrópole local, que toda a economia do norte do país esta ligada a nossa, que nós somos um pólo industrial e que já matamos os animais silvestres que andavam pela rua ( brincadeirinha! ou não...). Se fosse fazer o impaciente diria que é uma cidade de interior com a maior macrocefalia urbana já vista. Vivemos nossos dois milhões de habitantes como em uma cidadezinha. Rejeitando toda novidade como caboquice até virar moda, todo visionário como leso, que quer se aparicer, ou cabocão. A grande vergonha de ser cabocão deve ser viver em harmonia com seu meio ambiente, compreender a natureza, e conviver com ela, alimentar-se dela, realimentá-la com humanidade. Não é possível compreender o próprio meio ambiente em barelândia.

Parece algo simples essa coisa de entender o próprio meio ambiente, mas há sérias restrições quando tratamos de nossa capital. Desde os ternos de nossos queridos roxinhos. Numa cidade em que a temperatura média é de 30º C, terno? Até os habitantes das palafitas que não hesitam em jogar de sofá a merda nos rios onde vivem, nem em chorar cântaros enquanto esses chovem. Cântaros do céu? Dos olhos ou das almas? Mais perguntas sem resposta.

O mundo apresenta-se como um paradoxo, nossa decodificação não pode ficar muito longe de paranóia. Cada dia é um alimento para meu distúrbio de atenção. Abra a boca e feche os olhos. Abra os olhos e feche a boca. Coma lixo.
Enquanto em muitas capitais luta-se pelo passe-livre para os estudantes em Manaus nós temos que engolir 44 meias-passagens. E ao lutar pelas 120, não é tão difícil adivinhar “Olha a leseira baré! Já querem se aparicer” Em uma palavra é Tragicômico.

Uma amiga me disse, que o risível é uma inserção do impossível no possível. Agora vou sair de barétown for a while. A tal da crise que todo mundo insiste em dizer que é financeira gerou uma bolha de não-dinheiro tão grande que se tornou risível. Os números da AIDS na áfrica e a reação de vossa santidade também. A perpetuação de nossas boas e velhas máfias...digo... oligarquias regionais é risível. O fato de milhares de pessoas colocarem aheuaheuehu por vontade “própria” ahuaahauhau gordura da bunda aheueuehaueahea na boca aheuaheuheau é...sem comentários.

Nossa manacaos é o microcosmo mais bem acertado do mundo. Não seria exagero comparar nosso característico forró com todas as outras músicas de contradição sexual. Digo contradição sexual por que um pai deixa sua filha dançar ao som do hit “Agora que sou puta você quer me namorar” Mas se a filha dele tiver nuns amassos mais quentinhos com alguém aí é sacanagem, é nojeira e perversão, mas no creu ta todo mundo em casa.

O que me alivia de tudo isso é que existe outro conceito para a inserção do impossível no possível. Dá-se o nome de dádiva em teologia. Aqueles impossíveis mínimos do dia a dia, aquele pensamento que leva ao acontecimento. Esse fio que puxa meu peito pro teu. A capacidade de auto-transcendência. Que encontra suas condições ideais de expressão nessa situação indescritível que é a atual vida na terra. Nossas ações racionais tomaram tons tão irracionais que é risível e se é risível, finalmente, é visível.

“Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.”



Para: Nóia

amo plus plus plus.

Parabéns!!!

domingo, 14 de dezembro de 2008

O DISCURSO DO DINHEIRO

POR AYN RAND

— Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a plantar trigo. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.
Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força o senhor se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daquele que não o inventaram? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e os saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.
O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana; exige que o senhor compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor que o seu dinheiro pode comprar. E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?
Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo seqüestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer; não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que ele não descobriu: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau? Só o homem que não precisa da fortuna herdada merece herdá-la – aquele que faria sua fortuna de qualquer modo, mesmo sem herança. Se um herdeiro está à altura de sua herança, ela o serve; caso contrário, ela o destrói. Mas o senhor diz que o dinheiro corrompeu. Foi mesmo? Ou foi ele que corrompeu seu dinheiro? Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída; criar cinqüenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna.
O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau? O dinheiro é o seu meio de sobrevivência. O veredicto que o senhor dá à fonte de seu sustento é o veredicto que o senhor dá à sua própria vida. Se a fonte é corrupta, o senhor condena a sua própria existência. O seu dinheiro provém da fraude? Da exploração dos vícios e da estupidez humana? O senhor o obteve servindo aos insensatos, na esperança de que eles lhe dessem mais do que sua capacidade merece? Baixando seus padrões de exigência? Fazendo um trabalho que o senhor despreza para compradores que o senhor não respeita? Neste caso, o seu dinheiro não lhe dará um momento sequer de felicidade. Todas as coisas que o senhor adquirir serão não um tributo ao senhor, mas uma acusação; não uma realização, mas um momento de vergonha. Então o senhor dirá que o dinheiro é mau. Mau porque ele não substitui seu amor-próprio? Mau porque ele não permite que o senhor aproveite e goze sua depravação? É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? O dinheiro será sempre um efeito, e nada jamais o substituirá na posição de causa. O dinheiro é produto da virtude, mas não dá virtude nem redime vícios. O dinheiro não lhe dá o que o senhor não merece, nem em termos materiais nem em termos espirituais. É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? Ou será que o senhor disse que é o amor ao dinheiro que é a origem de todo o mal?
Amar uma coisa é conhecer e amar a sua natureza. Amar o dinheiro é conhecer e amar o fato de que o dinheiro é criado pela melhor força que há dentro do senhor, a sua chave-mestra que lhe permite trocar o seu esforço pelo esforço dos melhores homens que há. O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau. Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil. Mas o dinheiro exige do senhor as mais elevadas virtudes, se o senhor quer ganhá-lo ou conservá-lo.
Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo. São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa – bem como de sua própria vida, que é o que ele merece. Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.
Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influencia – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. O dinheiro é um meio de troca tão nobre que não entra em competição com as armas e não faz concessões à brutalidade. Ele não permite que um país sobreviva se metade é propriedade, metade é produto de saques. Sempre que surgem destruidores, a primeira coisa que eles destroem é o dinheiro, pois os dinheiro protege os homens e constitui a base da existência moral. Os destruidores se apossam do ouro e deixam em troca uma pilha de papel falso. Isto destrói todos os padrões objetivos e põe os homens nas mãos de um determinador arbitrário de valores. O dinheiro era um valor objetivo, equivalente à riqueza produzida. O papel é uma hipoteca sobre riquezas inexistentes, sustentado por uma arma apontada para aqueles que têm de produzi-las. O papel é um cheque emitido por saqueadores legais sobre uma conta que não é deles: a virtude de suas vítimas. Cuidado que um dia o cheque é devolvido, com o carimbo: ‘sem fundos’. Se o senhor faz do mal o meio de sobrevivência, não é de se esperar que os homens permaneçam bons. Não é de se esperar que eles continuem a seguir a moral e sacrifiquem suas vidas para proveito dos imorais. Não é de se esperar que eles produzam, quando a produção é punida e o saque é recompensado. Não pergunte quem está destruindo o mundo: é o senhor. O senhor vive no meio das maiores realizações da civilização mais produtiva do mundo e não sabe por que ela está ruindo a olhos vistos, enquanto o senhor amaldiçoa o sangue que corre pelas veias dela – o dinheiro. O senhor encara o dinheiro como os selvagens o faziam, e não sabe por que a selva está brotando nos arredores das cidades. Em toda a história, o dinheiro sempre foi roubado por saqueadores de diversos tipos, com nomes diferentes, mas cujo método sempre foi o mesmo: tomar o dinheiro à força e manter os produtores de mãos atadas, rebaixados, difamados, desonrados. Esta afirmativa de que o dinheiro é a origem do mal, que o senhor pronuncia com tanta convicção, vem do tempo em que a riqueza era produto do trabalho escravo – e os escravos repetiam os movimentos que foram descobertos pela inteligência de alguém e durante séculos não foram aperfeiçoados.
Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.
O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando.

(Meu coração vem na boca! A-D-O-R-O!)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Onírica

E meus olhos abriram-se acordando onde deveriam acordar.
As paredes aúreas, os mosaicos no solo, como sempre e como nunca.
A porta da casa desemboca em um mar de escamas alaranjadas.
Onde todas as mentiras faziam-se chagas sobre a pele de todos.
Em meio a paisagem dourada as almas puras regurgitavam plástico azul.
E as jovens esquartejadas chamavam-me ao sexo, junto ao acordar calmo da melancolia
Que vinha me seguindo num arrastar esquálido, lambendo meu pescoço com sua língua pálida.
Com meu choro veio o corar do ar melancólico.
Assistia-a ascender como um dragão de escamas alaranjadas de ferrugem.
Enquanto meus pés me empurravam para dentro do labirinto bizantino de paredes de ouro.
E minhas pernas infladas de ácido lático, imersas em sucos gástricos.
Corriam como um guepardo de pelos de cristal.
Pelas vias estreitas meus ombros debatiam-se contra quinas de metal dourado poroso.
Sentia o cheiro acre da bile que escorria acumulando-se no chão escorregadio.
E a voz em meio tom repetia como um mantra védico em meus ouvidos:
- Meu nome é Deus, e eu te odeio!
E saindo de minha forma felina, derrubando as paredes gástricas do destino.
Sentindo o vibrar de minhas pernas, e da voz que me seguia, parei num suspiro profundo.
Seguido do riso. E os olhos igneos do dragão enferrujado já queimavam minha pele.
Quando fez a gargalhada. E minha boca disse como um espasmo: Eu sou a estupidez que te ama.
Foi quando os olhos arredondaram-se e o medo fez em flama.
E então abri os olhos e o mundo em volta sorria como um canastrão.
Senti o cheiro dos corredores. E com bafo de noite maldormida.
Bradei ao dragão que me queima: Sou o espírito humano, o espírito estúpido. Faço do teu ódio amor. E de minha vida uma gota no teus oceanos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

De minhas certezas incertas

Há uma porção de coisas certas nessa vida, há também quem diga que não.
Mas eu estou pleno de que virá um clarão do leste, e o sol nos iluminará por aproximadamente doze horas. Depois virá a lua e nos banhará por outras doze, depois vamos nos dar conta que isso não importa. É quase certo que isso se dê aproximadamente vinte uma mil vezes. Depois de algumas delas descobriremos que assim como não importa o que acontece com nosso herói. Não importa muito quantas vezes acontecerá, quantos dias viveremos... Importa o que é feito de cada um deles. Assim como nossa consciência inconsciente de nossos átomos, assim como a inconsciência consciente do cosmos para conosco.

É certo também que dentro desse aglomerado, que finge o caos, haverão milhões de consciências, milhões de memórias. Há algo certo sobre nossas memórias também. Rememoraremos cada derrota, das vitórias ficarão apenas as que trouxerem o tempero do medo. E isso pouco importa também, pois memórias são só caricaturas do passado. Pois mais certo que tudo isso, é que o passado é só uma prisão, e o futuro apenas uma incerteza.

E voltamos para nosso sol nascente. Nosso dia, e nosso dia-a-dia. O que é feito dele, o que é construído nele, o que é destruído nele. O que é. Certo também como disse Kerouac que ‘’A mente é o Criador, sem razão nenhuma, por toda esta criação, criada para ruir’’. E mais certo que isso é que a única coisa mais bonita que a criação de uma mente, é sua ruína, o sabor que o cosmos dá a tudo que dele faz parte. Como um whiskey num potstill, como um queijo putrefato, como um beijo dormido, um livro amarelado, como as paredes derruídas, como o olhar calmo numa varanda de fim-de-vida.

Depois de um tempo descobrimos que vivemos dentro de um potstill, descobrimos que o cosmos só é sarcástico com quem entenderá suas piadas. Que virar a outra face não significa simplesmente esperar por outro tapa, mas ter a coragem de levantar a cabeça depois de cada golpe, que a honra não está na vitória, por que na verdade não é uma luta. É uma questão de mero controle, que os corcéis de nosso espírito, assim como os que podem um dia estar entre nossas pernas, são mais fortes que nós. Temos de domá-los, que não é sobre coerção é sobre coordenação. Que o solo não existe sem a música, e que as vezes ela fica mesmo sem graça sem ele.

É certo que não existe um sentido na vida, além do que se vê. Ela não para, é um carro sem freios. E é onde entra a escolha, podemos fechar os olhos esperar o choque, ou abri-los bem, e chegar onde a estrada nos levar, o mais engraçado é que não, isso também não importa. Por que passado o susto são só as paisagens, as músicas no rádio, as não-palavras na cabeça.

Mais certo que tudo isso é que somos só um pedacinho muito pequeno do todo, e que isso é tão ínfimo quanto nós perante esse todo. Pois nossa existência reside em nossas mentes, e nossos peitos. E que as vezes nosso peito controla nossa mente rumo a criação, mas é mais importante que nossa mente controle o peito, pois este nunca perde sua pureza e pouco desse mundo é puro.

E isso tudo não importa se não lembrarmos que as vezes vale a pena perder a cabeça, mas nunca o coração.